A doninha no Coliseu dos Recreios

Apesar de terem recentemente atingido a marca de disco de ouro para o seu “Podes Fugir Mas Não Te Podes Esconder”, correspondente a mais de vinte mil discos vendidos, os Da Weasel não conseguiram encher o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, na noite de sábado passado. Não se percebe muito bem porquê – afinal, este era o primeiro concerto oficial de apresentação do álbum que tão bem acolhido tem sido tanto pelo público quanto pela crítica, e, ainda para mais, era também a primeira apresentação dos Da Weasel no Coliseu com um concerto em nome próprio, Merecidíssimo, aliás, porque há muito que o grupo de Pacman e Virgul se afirmou como um dos mais sólidos talentos que a nova música portuguesa adquiriu na década de noventa. E no entanto, o público não correspondeu na quantidade esperada. As razões para tal permanecerão, por certo, no segredo dos deuses, sobretudo porque quem não esteve lá perdeu um magnífico espectáculo.

Que os Da Weasel são capazes de grandes concertos, há muito que se sabia; a sua entrega em palco, a sua coesão sonora, o seu irrepreensível desempenho técnico, as suas excelentes canções feitas de uma combinação explosiva de hip-hop, derock e de funk, e a sua personalidade segura e confiante, há muito que deixaram claro que um concerto das doninhas constitui, invariavelmente, uma excelente oportunidade par ase aferir do talento do colectivo. Mas desta vez, e porque a sua progressão já aconteceu para um outro nível, os Da Weasel esmeraram-se e ofereceram, para além deum grande concerto, um impressionante espectáculo, feito de um cenário onde se recuperava a imagem do grupo em jeito de grafitti, vários efeitos pirotécnicos,chuva de papelinhos e tudo o mais a que uma banda do seu calibre tem já deireito.

O público que compareceu à chamada não se coibiu de entoar em coro temas como “Dou-lhe com a Alma”, “Selectah”, “Adivinha Quem Voltou”, “Todagente”, “God Bless Johnny”, “Duia” ou “Tás na Boa”, mas o momento de maior euforia ocorreu, naturalmente, com a convocatória ao palco dos Orishas (que haviam já oferecido uma excelente primeira parte) para a interpretação conjunta (em dose dupla) de “Sigue Sigue”.

Para uma noite que se prolongou por mais de duas horas, e ao longo da qual Pacman, Virgul, Nobre, Quaresma e Guilherme deram o melhor que têm para dar – e que é muito bom – os Da Weasel mereciam ter tido um Coliseu a abarrotar. Quem não esteve lá, perdeu uma noite única com o que de melhor a música nacional tem hoje para oferecer.

In Blitz

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