Da Weasel em entrevista – Data: 2007

Começaram por cantar em inglês, influenciados, entre outros, pelos “3rd Bass”, um grupo de hip-hop norte-americano, do final dos anos 80, que tinha um tema intitulado “Pop Goes the Weasel”, com o qual os “miúdos da margem Sul do Tejo” se identificaram, uma vez que traduzido, ‘Weasel” significa doninha, um animal que todos consideravam suficientemente irreverente e independente, ao ponto de o adoptarem como imagem de marca da banda. Hoje em dia, os Da Weasel cantam maioritariamente em português, “influenciados por algumas pressões externas”, admitem, ao mesmo tempo que agradecem a pressão, que “consideram ter resultado na coisa mais acertada” que fizeram. Depois do sucesso de “Re-Definições” e “Ao Vivo nos Coliseus”, os Da Weasel acabam de lançar um novo álbum de originais, que já começaram a apresentar ao vivo, para delírio do cada vez maior número de fãs da banda de Almada.

Dica da Semana – O vosso novo álbum, “Amor, Escárnio e Maldizer”, entrou directamente para o primeiro lugar do top de vendas nacional. Que sensações é que esse facto vos desperta?
PacMan – Na realidade não estávamos à espera que isso acontecesse, mas estávamos obviamente expectantes, porque o último álbum correu muito bem, e sabíamos que as pessoas estavam muito curiosas, mas daí até ao primeiro lugar do top e à platina vai uma longa distância.

DS – O facto de o último álbum ter sido um marco na vossa carreira, quer ao nível da crítica, quer ao nível do público e dos prémios alcançados, representou uma responsabilidade e uma preocupação acrescidas em termos da elaboração deste trabalho?
João Nobre – Acima de tudo, queríamos provar a nós mesmos que esse sucesso e esse reconhecimento não tinham sido fruto do acaso, nem um fenómeno pontual. Isso levou-nos a encarar este trabalho com muita responsabilidade. Foi um grande desafio, mas a nossa maior pressão foi fazer um bom disco, não foram os prémios nem a performance de vendas. Trabalhámos muito para este disco e felizmente acho que conseguimos alcançar os nossos objectivos.

DS – Foi também por isso que resolveram manter este novo trabalho no “segredo dos deuses” durante tanto tempo?
PM – Basicamente, queríamos que as coisas só saíssem cá para fora quando estivessem finalizadas. Por outro lado, tínhamos consciência de que havia algum interesse em se saber o que é que andávamos a fazer, uma vez que entre um disco e outro passou de facto algum tempo, por isso, íamos lançando algumas pistas, até porque a consciência desse interesse no nosso trabalho também nos motivou bastante.

DS – Este é um disco repleto de convidados muito distintos. Como é que surgiu a ideia de convidarem cada uma destas pessoas?
JN – Numa carreira com seis discos, felizmente já tivemos o prazer de trabalhar com pessoas muito importantes, mas desta vez, os que entraram não podiam ser outros, essa é a verdade. Cada uma destas músicas precisava de cada uma das pessoas que convidámos e foi um privilégio poder contar com elas, porque de facto deram uma mais-valia aos temas.

DS – Há duas colaborações específicas que saltam à vista pela sua diversidade, a dos Gato Fedorento e a de Simão Sabrosa.
PM – A participação dos Gato Fedorento surge na sequência de um conceito inicial, que depois acabou por dar nome ao disco, “Amor, Escárnio e Maldizer”, sendo que nesse contexto os Gato fazem todo o sentido, porque são mestres na arte da sátira. Na verdade, existem vários temas neste álbum em que eles poderiam participar, mas quando terminámos o disco achámos que o melhor tema para eles fazerem urna rábula seria o “Niggaz” e assim nasceu o “Ó Nigga, tu és Nigga, Nigga?”. O convite ao Simão surge na sequência de uma situação, que apesar de não ser muito frequente, acaba por acontecer algumas vezes, que tem a ver com a história do pedido de bilhetes No entanto, aquele não é um telefonema real, ou seja, é real porque lhe ligámos de facto, mas foi feito a pedido exclusivamente para o disco e foi um verdadeiro “remate para golo”, no sentido em que funcionou muito bem.

DS – E porquê gravar três temas com a Orquestra Sinfónica de Praga em vez de o fazerem com a Orquestra Sinfónica Portuguesa?
JN – Por duas razões muito simples. Em primeiro lugar, porque em Portugal não existem estúdios criados de raiz para se poder gravar com uma orquestra sinfónica. Em segundo lugar, porque é muitíssimo mais barato, essa é a verdade. É uma triste realidade, mas foi de facto o que nos levou a tomar esta decisão, com o aval do maestro Rui Massena, que foi quem dirigiu a orquestra.

DS – Como é que apresentam este trabalho a quem ainda não teve oportunidade de o ouvir?
JN – Este é necessariamente um disco diferente, com muitas coisas novas, até para nós. Se o retorno que cada um de nós teve desta experiência foi de facto muito grande, calculo que o público também conseguirá descobrir coisas interessantes neste disco, principalmente coisas que não tinham a mínima ideia que nós fôssemos capazes de fazer. Portanto, é um disco que contém ingredientes que despertam alguma curiosidade nas pessoas, nomeadamente com a participação de Bernardo Sassetti no tema “Palavra”, ou do José Luís Peixoto, que assinou o texto do “Negócios Estrangeiros”.

DS – Podemos dizer que o título deste álbum é o resumo fiel do seu alinhamento?
PC – Mais do que o resumo do álbum em concreto, acho que o título deste trabalho resume a história da música dos Da Weasel. Na verdade, foi o título que veio até nós, num momento em que não estávamos à procura dele. Tudo aconteceu logo no início e veio na sequência de uma linha de pensamento que nos levou a chegar à conclusão de que o nosso trabalho, não só neste disco, mas também nos anteriores, tem de facto alguma coisa de semelhante com as “Cantigas de Amigo, Amor, Escárnio e Maldizer”, que têm muito a ver com a identidade ibérica, o que para nós é muito bom. Temos muito orgulho de o ter feito.

DS – A apresentação deste álbum ao vivo reserva também algumas surpresas?
JN – Aquilo que podemos prometer é que vamos apresentar um espectáculo com muita força e com uma produção cuidada. Na nossa opinião, subimos um degrau em termos de qualidade do espectáculo e isso deixa-nos muito orgulhosos em relação aquilo que estamos a desenvolver.

DS – Depois de já terem pisado o palco do Olympia, em Paris, e dos Coliseu nacionais, para referir apenas as salas mais emblemáticas em que já actuaram, conseguem tocar com a mesma energia de Norte a Sul do país, muitas vezes em locais que a maior parte das pessoas nem sequer conhece?
JN – Nós fazemos questão de levar sempre o mesmo espectáculo e a mesma produção a todos os palcos em que actuamos. Seria muito mais fácil e muito mais barato não o fazermos, mas nós sempre fizemos questão que assim fosse e vamos continuar a agir desse modo, independentemente do local em que estamos a tocar. porque o público merece.

DS – Quando se juntaram e formaram os Da Weasel era este o nível que queriam alcançar?
JN – Quando éramos putos e estávamos na sala de estar, com uma vassoura a fingir que era uma guitarra, e a fazer playback de temas do Michael Jackson, talvez fosse este o nosso sonho, mas a partir do momento em que iniciámos uma carreira nunca vivemos obcecados pelo sucesso. Sempre fizemos o que nos dava na real gana e todo o nosso processo de crescimento foi feito exactamente assim, subindo degrau a degrau.
PM – Sim, mas sonhar não custa, por isso, quando sonhávamos obviamente que sonhávamos alto.

DS – Que sonhos é que ainda vos falta realizar? O que é que ainda vos falta fazer ao nível profissional?
JN – Quase tudo. Ainda só preenchemos um cantinho da página em branco que é a nossa vida.

in Dica da Semana por M.J.F a 14 de Julho de 2007

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