Em 84, João Nobre tinha 13 anos e andava no oitavo ano de escolaridade.
Em Almada diz que se metia «naqueles grupos normais —não sei se eram muito normais — em que organizávamos coisas como reuniões paro falar sobre música, ou para falar sobre outra coisa qualquer.
Lembro-me que com treze anos furei as orelhas. Andava com a pancada dos U2. Tinha muito aquelas ondas de ouvir o que passava na rádio, aqueles hits…». Música, na altura, era um horizonte longínquo, a não ser «os concertos que eu e o meu irmão dávamos na sala, com uma vassoura nas mãos e com o cabelo molhado para parecer que estávamos todos suados. Havia coreografia e tudo».
A «pancada» pelos U2 levou-o a escrever para os Pregões e Declarações a mandar umas bocas a um colega. Quanto a portugueses, não ligava muito às bandas de Almada, mas sim a coisas mais underground como os Crise Total: «o boom do rock português passou-me um bocado ao lado.
Depois vim a interessar-me mais por isso, pelos Pop dell’Arte…
Passei meses a ouvir a colectânea “Ao Vivo no Rock Rendez Vous em 1984”.
Fui completamente fanático pelos Pop dell’Arte.
Em Portugal, se há bandas que me marcaram mesmo foram os Xutos, os Pop dell’Arte e os Mão Morta»,
in Blitz