Da Weasel em acústico na Antena 3 – Data: 1996

Depois da experiência longa com os Xutos & Pontapés – que deu origem ao álbum «Ao Vivo na Antena 3» – e de experiências pontuais e mais curtas com outras bandas, como os GNR, o auditório da Antena 3, na RDP, recebeu no sábado os Da Weasel para mais um dos seus concertos acústicos.

Uma experiência de que os Da Weasel saíram largamente vencedores. Porquê? Porque se há bandas de hip-hop em Portugal que façam da importância dos instrumentos a base das suas estruturas musicais, uma delas dá pelo nome de Da Weasel (a juntar a outras duas bandas como são Os Karapinhas de General D e os Cool Hipnoise). E a passagem do seu som – no caso dos Da Weasel, mais do que nos outros – natural e obviamente eléctrico para o formato acústico seria sempre um desafio enorme. Os Da Weasel, repito-o, venceram-no, com mérito.

Em palco, os Da Weasel foram desta vez os MCs Pacman, Yen Sung e o quase estreante Vírgul, o baixista Jay Jay Neige (mais conhecido como João Nobre), o guitarrista Quaresma, o baterista Guilherme, o percussionista já quase habitual Keith Harris e o teclista João Gomes (dos Cool Hipnoise), este em substituição de Armando Teixeira, disparador de samples dos Da Weasel, impedido de participar devido aos seus trabalhos com os Boris Ex-Machina. O concerto atrasou-se devido a problemas com a… electricidade. Durante os ensaios não estavam presentes os projectores para a gravação vídeo do concerto (da responsabilidade de Rui Filipe Torres, colaborador habitual dos Delfins) e ninguém percebeu que o quadro poderia ir abaixo com a sobrecarga dos projectores.

Problema resolvido, o espectáculo arrancou – perante um auditório completamente cheio – com um instrumental de conotações afro-jazz-funk. A surpresa estava instalada, mas iria continuar com uma versão hip-hop-bossa-nova de «Dou-lhe Com A Alma» (que seria repetida no único encore da tarde) e uma base be-bop de «Educação (E Liberdade)».

O único tema inédito apresentado, «Duía», é uma bonita canção de amor, quase pop, e é canção mesmo – na letra há uma referência aos Braindead, quando se ouve a frase, em português, «Ainda consigo cheirar-te na minha roupa». «Confirmar» surgiu próximo do seu original eléctrico, mas «Ressaca» apareceu transfigurada num white-funk ao jeito dos A Certain Ratio, com Quaresma fantástico na guitarra. O mesmo white-funk que serviria de mote para «Adivinha Quem Voltou», aqui apresentado como «Adivinha Quem Bazou» por Pacman, por ser o último tema do alinhamento antes do encore. Entre as duas, «Essa Vida» foi um dos temas mais bonitos e vivos da tarde: em ritmo reggae e ultra-melódico, com Vírgul em voz ragga.

Se calhar, só soube a pouco porque foi curto. Mas foi uma excelente experiência, que serviu para provar que, transfigurados, os temas dos Da Weasel são muito boas canções. Isto, se bem que, bem cá no fundo, prefira a força bruta e pulsão primordial dos Da Weasel com alma eléctrica.

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